sexta-feira, 3 de maio de 2013

«...só não vê, quem não quer ver...»

A minha experiência enquanto estudante foi marcada por faltas e por algum insucesso, mas penso que a dada altura já não queria mais saber porque não tinha vontade de estar naquele sitio, com aquelas pessoas que faziam os meus dias um inferno! Fui durante alguns anos vitima de bullying.
Sempre fui diferente dos outros meninos, não gostava de jogar futebol, não tinha assunto para falar com eles, não tinha de todo o comportamento esperado para um rapaz. O meu grupo de amigos resumia-se a raparigas, só raparigas, com quem tinha as mais diversas brincadeiras, conversas, com quem eu realmente me sentia bem. Isto não era de todo bem visto pelos rapazes (não os da minha idade, que posso até dizer, não tenho um dedo a apontar) mais velhos que rapidamente arranjaram alcunhas, brincadeiras, para me jogar a baixo. Eu era gordinho, não era muito bonito, não tinha auto-estima, não me sabia defender e por isso mesmo, ignorava todo aquele gozo em relação à minha pessoa. Obviamente que sempre soube o motivo de tudo aquilo, porque sim, eu era (e sou) diferente deles, não gostava do mesmo que eles e por isso mesmo achavam que me deviam castigar por isso, por ser diferente.
Algumas pessoas estiveram sempre ao meu lado a dar-me apoio e tentavam que eu não me fosse a baixo com todas aquelas injurias e provocações e aparentemente, não ia.
Com o passar do tempo as coisas não melhoraram, todas aquelas agressões verbais e aquela pressão psicológica começaram a fazer mossa. O rapaz que apresentava todas as festinhas da escola, que fazia de tudo para se tentar integrar, começou a ficar mais triste, mais apagado, não em frente dos outros, mas sozinho, nos seus pensamentos, numa solidão que só quem passa por isto sabe.
Confesso que na altura eu tentei mudar aquilo que era, porque não sabia como lidar com aquilo que sentia e muito menos com aquelas pessoas más, que infernizavam a vida de quem era mais fraco que eles. 
Nunca tive coragem de falar com ninguém, por medo, insegurança e principalmente por na altura ter vergonha de assumir algo que não era "normal".
Naquela altura, não havia tanta sensibilidade para este assunto (bullying), nem se falava em tal coisa, que também não fez com que houvesse prevenção para prevenir que este tipo de coisas pudesse acontecer. O certo é que muitas vezes só não vê, quem não quer ver! Muitas vezes as escolas têm conhecimento dos casos, não fazem nada, não querem saber. Acho que se há realmente uma grande sensibilizaçao para esta temática, acho que devem mostrar mais, agir mais, porque falar sobre o assunto é muito bonito, fazer algo para o combater, zero. Não esperem que as crianças falem com um professor, com os pais. Fiscalizem mais os recreios escolares, controlem o que se passa dentro das escolas, porque estes casos isolados, são muito graves, e incobertos, e muitas vezes ninguém lhes dá a  devida atenção. 
Esta é apenas uma parte daquilo que foi a minha vida enquanto estudante, que melhorou após ir para o ensino secundário, fez com que pudesse conhecer mais gente, mais realidades que me fizeram crescer e perceber que o facto de ser diferente não é mau, é ser único à minha maneira.




|R|F|

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